O ano era 2018. Eu trabalhava numa health tech. E ainda não havia entendido do que eu estava fugindo.

NA SEGUNDA, ninguém precisa:

#1 - Comprar um carro de mil cavalos para andar em grandes centros:

Se você for de jegue, vai chegar mais rápido.

#2 - Responder a pesquisa de clima anônima da firma:

Até porque ela nem é anônima e nem melhora o clima (hihihi amo vocês colegas do RH)

Bom dia a todos.

Menos para quem vai pra academia feliz. (ou é falso ou é louco)

Hoje eu quero dividir um post que deixou o meu coração quentinho.

UM POST que ninguém viu… Ou viu, mas não com esse olhar!

O ano era 2018 e eu trabalhava numa health tech. 

Fazia um pouco mais de um ano que eu tinha aceitado liderar áreas estratégicas desta startup (comercial, marketing e rh), onde o mundo da saúde passou a fazer parte da minha rotina.

Foi assim que eu fui parar no TEDx “O futuro da saúde” e, como todo TED, a curadoria estava incrível, palestrantes ótimos e histórias inspiradoras.

Mas duas pessoas tocaram meu coração de maneira muito singular.

A primeira foi um pai que criou uma tecnologia para prever sinais de sepse em pacientes. Laura, nome da filha que ele perdeu para a sepse, hoje é um “robô” que salva vidas. 

A história me marcou tanto que em 2019, já editora da HSM Management, pautei uma repórter para relatar o caso. O perfil deste pai você lê aqui. Se preferir assistir ao TEDx dele, o vídeo está aqui.

A outra história começa 10 anos antes, em 2008.

Minha mãe tinha apenas 48 anos quando foi diagnosticada com um câncer de mama muito agressivo. Eu era uma jovem de 23 anos e não soube o que fazer diante da situação.

Acho que eu nunca trabalhei tanto na vida como naquele ano.

Ocupada com o trabalho, eu fingia que aquela angústia, causada pela iminência da morte, não podia me atingir.

E foi assim que eu não acompanhei minha mãe nas sessões de quimioterapia. Não a vi enjoada, triste ou com medo. Tampouco sabia detalhes sobre o tratamento e seus efeitos colaterais.

Quando eu penso neste período da minha vida, sinto que, embora fosse a minha história, eu não estava lá. Meu corpo sim, continuava dormindo, tomando banho e se alimentando naquela casa onde nós morávamos. Mas a alma não. Essa ganhou um crachá e foi morar num escritório qualquer.

Em 2008, um diagnóstico de câncer ainda soava como quase sentença de morte. Eu já não era mais adolescente mas, cheia de dúvidas, sem ninguém com quem conversar e sem saber como enfrentar aquilo tudo, eu me sentia uma.

O medo era grande. A informação, quase nenhuma.

Agora, você consegue imaginar o que é ter na família uma criança com câncer ou, ainda mais difícil, você ser A criança portadora da doença?

Simone Mozzilli conhecia essa realidade. 

Durante anos ela fez trabalho voluntário em hospitais que tratavam crianças com câncer e, mesmo sendo formada em comunicação, tinha dificuldade de explicar para os pequenos o que, afinal, era aquele tal de câncer.

Até o dia que ela mesma foi diagnosticada com um.

“E pelas informações que eu encontrava, a única certeza que eu tinha era que eu ia morrer". 

Simone Mozzilli, no evento “O futuro da saúde", organizado pelo TED

Encurtando a história, a Simone não só se curou, como usou o seu tratamento como “laboratório” para repensar como a comunicação pode melhorar o engajamento do paciente com o tratamento.

Assim nasceu a Beabá (be-a-bá), uma entidade sem fins lucrativos com a missão de desmistificar o câncer e informar de maneira clara, objetiva e otimista sobre a doença e o tratamento para crianças, adolescentes e seus acompanhantes.

Eu não fui uma acompanhante. Eu fui uma fugitiva (ou "covarde” para alguns). Anos mais tarde, precisei trabalhar muito esse assunto na terapia para entender que eu não tive recursos emocionais, nem amparo e nem informação de qualidade para lidar com aquele caos.

Por isso fiquei tão encantada com a Simone. 

Ela transformou um momento de dor em ferramenta e devolveu para outras famílias algo que eu não tive: informação clara e humanizada na hora que mais dói.

E o post dela que provavelmente você não viu foi esse aqui:

Clique aqui e leia o post completo no Linkedin. Aproveita e segue a Beabá no Instagram. Para ver o TEDx da Simone, clica aqui. São 10 minutinhos que vale o investimento.

E por que este post está aqui?

Porque eu já vi muita gente usar o crachá como escudo. Inclusive eu.

A Simone fez o contrário: transformou a experiência que ninguém quer ter, no trabalho que o mundo precisava.

Não estou dizendo que você precisa transformar a sua dor em projeto. 

Mas talvez valha a pergunta: que realidade você está evitando enquanto finge que está ocupado?

Ah! Minha mãe está ótima, obrigada.

E eu ganhei (do universo? de Deus? insira aqui a sua fé!) a oportunidade de elaborar e ressignificar esse momento tão marcante das nossas vidas.

Às vezes o que a gente precisa na segunda-feira é só isso mesmo: agradecer pelas segundas chances que a vida dá.

UM PRINT que ninguém precisa… Salvei e não usei. Agora é usa vez.

Até quarta!

Gabi Teco

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