O que talento, visibilidade e cargo têm em comum? Descobri que os três falham no mesmo ponto.

Algumas semanas atrás eu te perguntei o que você estava fazendo no Linkedin. E disse que eu mesma tenho me feito essa pergunta.

Hoje, além de fechar o capítulo “networking” que eu abri no início deste mês, eu vou te contar as respostas que eu encontrei e como os assuntos se misturam.

Abaixo um resumo, caso você tenha perdido o raciocínio que nos trouxe a este momento. Mas atenção: não é preciso ler as edições anteriores para entender o conteúdo de hoje. =)

Título da news

O que networking NÃO é

O que networking é

Habilidade social

Posição na rede

Visibilidade performática

Relação

Cargo (rede emprestada)

Rede real

Então, se networking não é talento, não é visibilidade e não é cargo, o que é então?

Vamos chegar lá. Mas antes:

Se você foi criança no início dos anos 1990, há grandes chances de você dividir comigo a felicidade de lembrar da vinheta desse quadro do programa Rá-Tim-bum da Tv Cultura

Outro dia eu estava scrollando o Linkedin e cruzei com um post interessante sobre plágio. Gostei da argumentação do autor e, fazendo o que faço sempre, fui pulando de link em link até chegar em outro post onde o mesmo autor falava da sua pesquisa em tecnostress.

Sem me aprofundar (porque meu faro para pauta é bom), achei que em algum momento o conceito poderia ser útil. 

Como era um sábado de manhã (se você é do time que acha que o Linkedin não tem audiência aos finais de semana, é melhor rever os seus conceitos), resolvi mandar um Inmail pedindo mais informações.

Abaixo, parte da mensagem:

Pensa aí, se você fosse o Ricardo, o que faria?

Deixei o meu número de whatsapp e, prontamente, ele me respondeu. 

O Ricardo não me conhece. Se ele olhou meu perfil, viu que eu não estou conectada a nenhuma grande empresa de mídia. Muito pelo contrário.

Uma das minhas experiências atuais é a “Gabi Teco Mentorias e Educação", que dá ao Ricardo uma informação valiosa: Gabrielle provavelmente trabalha para ela mesma, portanto seu cargo atual não oferece necessariamente muitas “vantagens".

Mas ainda assim, ele me respondeu.

Vamos avaliar a perspectiva contrária agora?

No dia 10 de janeiro deste ano, recebi a mensagem abaixo.

Era uma longa mensagem, mas com um pedido objetivo: dar um depoimento para o podcast que ele está para lançar.

Veja, Serafim não é podcaster. Tampouco é da mídia. O produto é novo (portanto não tem audiência). Ele também não é um potencial contratante dos meus serviços. Quem é Serafim na fila da minha padaria?

Minha resposta honesta: um cara com uma trajetória sólida (espiei o perfil dele, claro), um jeito de escrever bacana (a mensagem era realmente longa! *rs) e, mais do que tudo isso: um CORAJOSO. Olha a primeira linha da minha resposta pra ele:

De forma meio “aleatória", eu mandei mensagem ao Ricardo. Serafim fez o mesmo comigo.

E você sabe por que as pessoas não costumam se expor desse jeito?

Simplesmente porque MORREM DE MEDO da rejeição.

O que essas histórias demonstram, então?

Que networking se constrói entre duas pessoas que decidem colaborar mesmo quando uma das partes não tem ‘nada a oferecer’

Eu não prometi nada ao Ricardo, mas prontamente ele me abriu as portas.

Serafim não me prometeu nada, mas mesmo assim eu topei contribuir.

Quando há troca genuína, há conexão. 

Às vezes você será a pessoa que não tem nada a oferecer. Outras, será a que colabora sem “extrair valor”.

Como dançar este balé sem tropeçar no próprio pé?

Aí a gente precisa mergulhar um pouco mais fundo.

Há 11 anos eu liderava um time de marketing numa startup de 100 pessoas, quando surgiu uma demanda difícil de solucionar:

Precisávamos trazer uma mulher inspiradora para palestrar na semana da mulher, porém só tínhamos três reais e um sonho (na verdade era zero budget, mas o meme pede uma estrutura diferente).

Carol Genovesi, que era do meu time (e hoje é minha parceira no podcast Na volta a gente se encontra), lembrou de uma professora da Faculdade Cásper Líbero, onde ela se formou. Conseguiu o email dela e, juntas, mandamos um convite explicando a iniciativa.

Vivi Mansi era uma executiva com um pé no mundo acadêmico, portanto sua agenda não era necessariamente fácil de conseguir. Mas algo fez ela topar.

Corta para 2026.

Hoje ela é a minha maior referência para temas como comunicação, sustentabilidade, mulheres em conselho, multicarreirismo…

Lá em 2015, quando ela aceitou o nosso convite, eu não tinha nada a oferecer. 

Mas quando tive a oportunidade de convidar uma conselheira editorial para a publicação de negócios que eu liderei em 2019, adivinha só de quem eu lembrei?

Convidei a Vivi porque ela me devia algo?

Não. 

Convidei a Vivi porque ela se fez presente, sempre muito interessada e interessante.

Entre 2015 e 2019, a gente foi trocando de empresas, diversificando experiências e mantendo uma proximidade para além dos nossos cargos.

Mês passado convidei a Vivi para participar do podcast, um produto que está engatinhando e tem um pouco mais de uma centena de seguidores no Spotify. 

E se você já entendeu a ideia de rede para além do cargo, só tem uma chance de acertar qual foi a resposta dela ao meu convite.

O que a minha história com a Vivi ilustra?

Que networking se fortalece no tempo, desde que a gente se mantenha interessado, interessante, jamais interesseiro

Fazer perguntas é, ao mesmo tempo, minha forma de demonstrar interesse e também de me manter interessante. Como?

Vamos ao último ato.

Por que tantas perguntas? Às vezes eu me pergunto….(e nem é piada! *rs)

Porque o universo é um mistério e eu estou sempre pronta para conhecer um pedacinho a mais dele.

Porque eu conheço gente pra caramba, mas não consigo parar de me encantar com a diversidade de pensamentos e interesses das pessoas.

Porque estudo, estudo, e vou morrer burra.

O que me torna uma pessoa interessante não é, portanto, a quantidade de conhecimento que eu detenho. Pelo contrário.

Porque enquanto eu achei que dominar completamente uma área do conhecimento era condição fundamental para ser interessante, a síndrome da impostora bateu e me impediu de aproveitar muitas oportunidades.

A minha descoberta foi entender que “não saber tudo” e, por isso mesmo, “querer saber tudo”, é a mais simples e profunda expressão de quem eu sou.

E quando a pessoa nota consistência entre o que eu sou e o que ela vê (a gente anda chamando isso de autenticidade), isso gera uma coisa indispensável quando o tema é networking: CONFIANÇA.

A minha hipótese é que estamos tão acostumados a viver na superfície, representando papéis e correspondendo às expectativas dos outros que, quando a gente cruza com alguém que “parece de verdade”, isso produz uma vontade inexplicável de querer manter esse alguém por perto.

E talvez seja exatamente daí que vem o ponto.

Networking funciona na confiança. E a confiança nasce quando o que você é bate com o que o outro percebe

Ficar criando personagens em cada bolha por onde você passa pode até funcionar no curto prazo. Mas será que isso gera a confiança necessária para ser lembrado pelas pessoas certas, pelos motivos certos?

A propósito, este é meu lema na produção de conteúdo: ser lembrada pelas pessoas certas, pelos motivos certos.

E é por isso que eu sigo ABSOLUTE FLOPADA no Linkedin.

Estou lá produzindo um conteúdo que eu acredito, ainda que isso signifique um chacoalhão no meu ego, que insiste em se afetar pelas métricas de vaidade.

Estou lá porque a plataforma me ajuda a nutrir algumas relações, me permitindo estar presente, seja num comentário que agregue, numa felicitação genuína ou num pedido de café (público ou privado) para atualizar as novidades.

Estou lá porque embora eu goste de reclamar, eu gosto ainda mais de ser parte da solução. Então, em vez de ficar criticando que só tem conteúdo feito por IA para IA, eu to lá me esforçando para deixar rastros humanos por onde eu passo.

Estou lá pra ver e ser vista, claro. Mas não o tempo todo. Não por qualquer um. 

Escolhi as minhas batalhas. 

Linkedin é apenas uma das muitas formas de movimentar a sua rede de relacionamento.

Mas assim como na metáfora do Michelangelo esculpindo o Davi, a plataforma é só mais um pedaço do mármore que a gente precisa retirar junto com os mitos do talento, da visibilidade performática e do cargo.

O que sobra é o que sempre esteve lá. 

Relações que se constroem entre pessoas que decidem colaborar mesmo quando uma das partes não tem “nada a oferecer”.

Relações que se fortalecem no tempo, desde que nos mantenhamos interessados, interessantes, jamais interesseiros.

Relações que funcionam na confiança, quando o que somos bate com o que o outro percebe.

Depois de anos e anos deixando blocos de mármore para trás, sinto que o meu Davi começa, finalmente, a aparecer.

E o seu?

Até segunda!

Gabi Teco

Sua vez: me conta o que ficou pra você desta edição?

Aqui eu facilito a sua vida, ó.

Escolha o início de uma frase, aperte o botão “responder” no seu e-mail e complete com outra ideia.

  1. (   ) Achei que todo mundo precisa saber que…

  2. (   ) Vou levar pra pensar essa coisa do/da…

  3. (   ) Li e fiquei igual a Gloria Pires (não consigo opinar) porque…

  4. (   ) Odeio múltipla escolha, então farei uma redação livre a partir daqui…

  5. (   ) NAD (Nada a declarar)

Ainda não é assinante? Clique aqui e garanta o recebimento dessa news que você não precisa, mas talvez queira ler toda semana.
Ah. Eu também produzo conteúdo em outras redes.
No Instagram eu penso em público sobre cotidiano, vida e trabalho.
No LinkedIn eu me dedico à traduzir o corporativês para a vida real de um jeito mais objetivo do que aqui na news.
Já em Daleland você conhece meu lado empreendedor. E no site Gabi Teco, o meu papel como mentora.
Vou adorar te receber em qualquer um destes canais! =)

Continue lendo